
Plano é camuflar o endividamento: Governo inflacionário acena com mais irresponsabilidade em prol da reeleição em 2026
Por Edmilson Pereira - Em 4 semanas atrás 869
O PIB de 3,4% em 2024 expressa o último adejar da galinha, cujas asas – sob as quais as famílias se endividam – não são de águia. Esborrachar-se-á. Quebrados, nós. Já vimos esse filme. Não será bonito. A questão sendo: quando? O governo não aceita a desaceleração da economia. Que tenta rolar-enrolar. Quer chegar a 2026. Pedalar – pendurar contas para fora – até o ano eleitoral.
Não admitirá a desaceleração; que combate lançando mão dos mesmos expedientes que a provocam-garantem. Esse é o principal componente da radicalização a que já se lança Lula com vistas à reeleição. Dobrar – triplicar – a aposta. Para além de Gleisi na política, Dilma na economia.
O plano é camuflar o endividamento até o ano que vem e então fazer com que a premência eleitoral empurre a bomba para o próximo governo. Que pode ser Dilma IV. O governo é Dilma III e, para ser IV, precisará – como Bolsonaro em 2022 – arrumar uma PEC Kamikaze para si em 26. Mais bilhões inventados para que financiemos uma tentativa de reeleição.
O governo é Dilma III. Aquele que quer “encontrar uma solução pacífica”, mas que, não a encontrando, vai “ter que tomar atitudes mais drásticas”. O governo é inflacionário, bancou a deformidade que tornou caro o alimento – e agora nos comunica que responderá com mais irresponsabilidades para “levar comida barata ao prato do povo brasileiro”.
A culpa é sempre do outro, esse ser oculto. Sobre o preço do ovo, por exemplo. O presidente especula-insinua – e pelo menos isenta a bicha: “A galinha não está cobrando caro. Eu não encontrei uma galinha pedindo aumento no ovo. A coitadinha sofre, ainda canta quando põe o ovo, mas o ovo está saindo controle”.
O governo – que canta de galo – está descontrolado. Dilma III, que se iniciou com a PEC da Transição, fabricou esse crescimento sem lastro produtivo, plantou a inflação que lhe é a única colheita até aqui e contratou a desaceleração da economia; que ora quer minimizar-adiar artificialmente.
Lula não se conforma. O país cresce acima de sua capacidade. Crescimento sustentado pela indução estatal ao consumo. E ele avisa que expandirá a gastança – multiplicadas as medidas fiscais, parafiscais e creditícias. Se as famílias tiram o pé do ritmo de consumo, o governo reage disparando estímulos para que tomem dinheiros e voltem a consumir. É corrida com a inflação, essa tolerada.
O presidente disse: “O ano de 2025 é o ano que nós vamos colher tudo que preparamos entre 2024 e 2023. Esse ano não tem explicação, não tem choradeira, nós temos que entregar as coisas que nós prometemos durante a nossa campanha (…)”.
Tem explicação, sim. Está explicado. Sobre a choradeira: o homem quer que fique para 2027.
Por Carlos Andreazza/ Jornal Estadão
Foto: Wilton Júnior/Estadão