Flutuações no colesterol total e no LDL: Variações nos níveis de colesterol podem aumentar o risco de demência, aponta estudo

Flutuações no colesterol total e no LDL: Variações nos níveis de colesterol podem aumentar o risco de demência, aponta estudo

Por Edmilson Pereira - Em 1 mês atrás 1448

Idosos com grandes variações nos níveis de colesterol podem ter um risco maior de déficit cognitivo e demência do que aqueles com colesterol estável, segundo um estudo publicado na revista científica Neurology, em janeiro deste ano de 2025.

A pesquisa analisou os dados de 9.846 homens e mulheres, com idade média de 74 anos. Os participantes tiveram as taxas de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos medidas quatro vezes, com intervalos de um ano entre as medições. Eles foram acompanhados nos anos seguintes e passaram por testes de cognição.

Ao todo, 509 participantes desenvolveram algum tipo de demência. No grupo com maior variação no colesterol total, 147 de 2.408 pessoas tiveram a condição. O número representa uma taxa de 11,3 casos por 1.000 pessoas-ano. No grupo com menor variação, 98 de 2.437 pessoas desenvolveram demência, uma taxa de 7,1 casos por 1.000 pessoas-ano (o conceito de pessoas-ano leva em conta o número de participantes e o tempo que cada um deles permaneceu no estudo).

Após ajustes para outros fatores de risco, como idade, tabagismo e pressão alta, os pesquisadores concluíram que indivíduos com as oscilações mais intensas nos níveis de colesterol total (TC) apresentaram um risco 60% maior de desenvolver demência e 23% maior de déficit cognitivo na comparação com os participantes com o menor nível de variação.

Mudanças nas taxas de LDL (colesterol combinado às lipoproteínas de baixa densidade), conhecido como “colesterol ruim”, também foram associadas a um aumento de 48% no risco de demência e de 27% no déficit cognitivo.

Maiores flutuações no colesterol total e no LDL ainda foram ligadas a um declínio mais rápido na memória episódica, na velocidade psicomotora e na cognição geral.

Por outro lado, não foram encontradas evidências sólidas de associação entre demência ou alterações cognitivas e variações no HDL (colesterol combinado às lipoproteínas de alta densidade), conhecido como “colesterol bom”, e nos triglicerídeos — gorduras que estão presentes no sangue e no tecido adiposo e que funcionam como uma fonte de energia para o corpo.

Hipóteses: As causas da relação entre flutuações do colesterol e demência ainda são desconhecidas, mas existem hipóteses. Os pesquisadores mencionam que as variações nas taxas podem estar ligadas a doenças crônicas subjacentes ou à fragilidade do organismo (e sua incapacidade de manter o equilíbrio dos sistemas do corpo), que por sua vez aumentam o risco de demência.

As mudanças nos níveis de colesterol também poderiam afetar as placas de gordura na parede das artérias e provocar danos na vasculatura cerebral, incluindo o estreitamento ou obstrução dos vasos sanguíneos. “Uma possível explicação é que flutuações significativas nos níveis de colesterol — total e LDL — podem desestabilizar a placa aterosclerótica, que é composta principalmente por colesterol LDL”, explica Zhen Zhou, autora principal do estudo e pesquisadora da Escola de Saúde Pública e Medicina Preventiva da Monash University, na Austrália, em comunicado à imprensa.

Fonte: Agência Estadão

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